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Fenômenos Psíquicos |
Ana Lucia Melo Gonçalves |
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Capítulo
IV (Conhecimento por meios subjetivos)
O termo clarividência chega por vezes a confundir-se com o próprio conceito de percepção extra-sensorial, mas é utilizado mais correntemente para explicar o conhecimento direto, pela mente, de eventos externos. Normalmente a informação paranormal chega ao clarividente através de visões, mas há também casos em que ela vem através de sons (neste caso trata-se de clariaudiência) ou de odores (clariolfatismo). Modernamente fala-se também da clarisenciência, ou seja, o ato de ser guiado, por uma forte intuição ou por mãos invisíveis, geralmente para longe de situações de perigo. A clarividência tem uma longa tradição na história de todos os povos do mundo, talvez por ser a experiência psíquica mais comum - é difícil encontrar alguém que não a tenha vivido vez ou outra. O estilo de vida ocidental, porém, interfere diretamente sobre essa manifestação, dificultando-a; por isso mesmo, os relatos de clarividência em nossos tempos são mais frequentes em pessoas que moram fora dos grandes centros urbanos e nos povos cujo ritmo de vida difere do nosso. As tribos primitivas, por exemplo, faziam da clarividência um acontecimento habitual através das pessoas especialmente preparadas para tanto - os feiticeiros, ou xamãs. Por meio de rituais específicos, que podiam incluir a ingestão de substâncias alucinógenas, os xamãs estimulavam seus poderes paranormais a ponto de “ver” as soluções para os problemas enfrentados pela comunidade - doenças, objetos ou pessoas perdidas, etc. Os xamãs eram pessoas especiais, geralmente escolhidas para sua missão ainda na puberdade, quando já demonstravam a existência - ou a possibilidade - de seus poderes paranormais; portanto, os rituais eram mais propriamente um auxílio do que uma necessidade. Um xamã da Lapônia contou ao historiador sueco Johan Scheffer, no séc. 17, que mesmo que destruíssem seu tambor ele continuaria a “ver” as coisas da mesma maneira - e, para confirmar o que dissera, descreveu ao historiador toda a viagem que Scheffer fizera até aquele lugar. Um xamã, portanto, está habituado a usar suas capacidades paranormais no momento e da maneira desejados, enquanto as pessoas comuns, por não exercitarem suficientemente essas faculdades, só conseguem experimentá-las esparsamente e em ocasiões de na maioria das vezes críticas, como acidentes. Os casos clássicos de clarividência em nossa civilização mostram em geral um motivo extremamente forte para haver a visão. Um
incêndio serviu para que o famoso místico sueco
Emmanuel Swedenborg
(1688-1772) demonstrasse
seus dons clarividentes. Ele Os períodos noturnos, as fases crescentes da Lua e a proximidade de água corrente também são aspectos relacionados a um bom desempenho clarividente. Se uma imagem pode ser captada através da clarividência, é possível pensar que ela também pode ser emitida. Tres condições básicas são necessárias: 1. o emissor deve ter a firme vontade de enviar a mensagem; 2. a mensagem tem de ser clara e forte; 3. o transmissor deve visualizar o receptor dormindo e acreditar que a mensagem chegará ao seu destino. A clarividência intencional traz um perigoso componente: as imagens enviadas ao receptor tanto podem ser benéficas (como as de cura) quanto maléficas (como as práticas de Vodu). Estaríamos indefesos quanto a isso? Nem tanto: o sucesso depende de uma completa sugestionabilidade do receptor à magia, e este pode ser nãosugestionável ou aprender a controlar sua sugestionabilidade, rejeitando mentalmente as imagens enviadas. Neste caso, funciona a “lei do retorno”, segundo a qual as sugestões ou sortilégios que não obtêm sucesso junto à vítima presumida se voltam contra o emissor com força multiplicada. Dentro da área englobada pela clarividência, um destaque especial deve ser atribuído à clariaudiência - a audição paranormal de sons como vozes, músicas, etc. Ao que tudo indica, o som paranormal ativa diretamente nossa audição mental sem qualquer envolvimento com os órgãos físicos responsáveis por essa tarefa. Os exemplos de clariaudiência também se acumulam ao longo da história. Conta-se que o filósofo grego Sócrates era aconselhado frequentemente por uma voz que ele denominava “daimon” (divindade). Joana d’Arc ouvia vozes que a conduziram ao comando do exército da França, chegando a bater os ingleses e a coroar um novo rei francês. Mais próximo de nossa época e nossa civilização, os casos de clariaudiência se referem geralmente a situações de perigo. Um deles envolveu o famoso ilusionista americano Harry Houdini, que curiosamente se declarava um cético em relação aos fenômenos extra-sensoriais e chegou a participar de várias experiências do gênero para detectar fraudes. Trancafiado dentro de um cofre sob as águas congeladas do rio Hudson, em Nova York, Houdini só conseguiu encontrar o buraco de gelo que o levaria à superfície após ouvir a voz de sua mãe chamando-o na direção que deveria seguir. Uma experiência mais rara é a da clarisenciência, a que nos referimos no início. Neste caso, soma-se à clariaudiência um impulso físico para que o sensitivo faça aquilo que lhe está sendo recomendado. Um exemplo disso ocorreu em dezembro de 1937: a senhorita E. E. West perdeu seu anel de rubi enquanto lavava algumas peças e, imaginando que o anel se fora pelo ralo, desistiu de procurá-lo. No dia seguinte, porém, enquanto ela estava no mesmo aposento, uma voz lhe perguntou: “E o rubi?” Sem refletir, ela respondeu automaticamente: “Tudo bem, não é necessário preocupar-se com isso.” Ela então percebeu que não havia ninguém ali, mas foi subitamente pega pelos ombros e virada para uma certa direção: ali, bem visível através de um raio de luz que entrava graças à porta entreaberta, estava o anel perdido no dia anterior. A experiência nos mostra que todas essas faculdades podem ser desenvolvidas através do treinamento adequado.
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